Anemias na Infância
Por: Luciene Freitas Lemos Borlotte
Introdução:
A Saúde da Criança é um dos principais pontos de preocupação dos profissionais que trabalham com Educação em Saúde.
E uma das condições que merece bastante atenção, devido a sua prevalência nos grupos infantis, são as anemias.
Essas enfermidades são comuns por conta das circunstâncias sócio-econômicas de nosso país, que expõe a nossa população juvenil a diversos fatores desencadeadores de anemia, como verminoses e carências alimentares.
Definição:
Para início de conversa é bom lembrarmos que a palavra anemia vem do grego e significa carência ou privação de sangue.
O sangue é um produto heterogêneo, ou seja, é composto por vários itens. E são eles:
· O plasma que corresponde à parte líquida do sangue. E é formado por água e proteínas.
· E as células (eritrócitos, leucócitos e trombócitos), que correspondem à parte sólida do sangue.
No caso específico das anemias, o componente que se encontra com alguma alteração (redução dos valores de referência) é o eritrócito, hemácia ou simplesmente glóbulo vermelho. E/ou a hemoglobina uma proteína de transporte que confere ao eritrócito a capacidade de carrear os gases respiratórios dos pulmões a diversas partes do corpo e vice-versa.
Sintomatologia:
Quando uma criança, ou até mesmo um adulto, encontra-se com anemia apresenta uma sintomatologia clássica, a falta de energia.
Os profissionais de Saúde e de Educação que trabalham com crianças podem ouvir o seguinte comentário de algumas mães:
“_ Esse menino anda muito sem ânimo, deve estar com anemia.”
O conhecimento popular que o portador de anemia não possui energia para realizar as tarefas diárias é explicado a partir da fisiopatologia da doença.
Para que o corpo metabolize a Adenosina Trifostato (ATP), molécula ricamente energética, são necessárias reações químicas de oxidação.
Se houver uma baixa disponibilidade de oxigênio circulante, a produção de energia será afetada, conseqüentemente a sintomatologia clássica poderá ser notada até mesmo por um leigo.
Por isso, a fadiga, a fraqueza e a tontura são sintomas comuns a todos os tipos de anemias.
Entretanto, na circulação sanguínea do portador de anemia falciforme, poderá ocorrer a formação de trombos, pequenos aglutinamentos de eritrócitos que impedem o fluxo adequado de sangue aos diversos órgãos do organismo, propiciando o surgimento de situações gravíssimas como o Acidente Vascular Encefálico (AVE) e também o Infarto do Miocárdio.
Causas mais Freqüente:
A anemia pode ser causada por um sangramento excessivo, por carências alimentares (mineral ferro, vitaminas do complexo B), devido a um aumento dos processos de hemólise (eritroblastose fetal), por verminoses (ancilostomose) e até mesmo por um problema de absorção intestinal (doença de Crohn). Mas há ainda aquelas que são hereditárias como é o caso da anemia falciforme e da talassemia.
Tipos de Anemias:
São muitas as formas clínicas dessa enfermidade, no entanto, as mais comuns são:
· Anemia Ferropriva: causada por deficiência de ferro. Pode surgir devido a verminoses, alimentação pobre em mineral ferro, doenças intestinais.
· Anemia Perniciosa: causada pela deficiência de vitamina B12. O nosso organismo é capaz de sintetizar tal vitamina, no entanto algumas situações podem levar a uma diminuição dessa síntese. No adulto a principal causa de anemia perniciosa é a ingestão abusiva de álcool. Em crianças comumente relaciona-se com doenças que impedem a absorção intestinal adequada.
· Anemia Falciforme: é a principal doença hereditária das populações afro-descendentes. Caracteriza-se por existir no portador uma deficiência na formação de Hemoglobinas do tipo A, que é a Hemoglobina funcional. O indivíduo falcêmico, possui um outro tipo de hemoglobina denominada Hemoglobina S, que em situação de baixa oxigenação muda sua consistência para uma forma gelatinosa, mudando com isso a conformação do eritrócito. Este assume uma forma de foice, diferente da forma globosa habitual. Esta forma afoiçada da célula vermelha facilita seu aglutinamento nos capilares (vasos sanguíneos bem fininhos) causando obstrução da circulação e muita dor (crise falcêmica).
Diagnóstico:
A principal forma de confirmar a anemia, além da observação dos sinais clínicos, são os exames laboratoriais. O eritrograma, que também é conhecido como hemograma simples, possibilita a determinação do hematócrito, que é a proporção entre a parte sólida do sangue e sua parte líquida (plasma). Por este exame também se determina a quantidade de hemoglobina que é a principal proteína de composição do eritrócito.
Como o ferro é o principal componente da hemoglobina a dosagem de transferrina pode ser útil. Essa proteína sérica carreia o íon ferro para que seja metabolizado no intestino e faça parte da hemoglobina. Logo, se menos de 10% da transferrina encontra-se saturada com o ferro, é bem provável que haja deficiência deste íon.
Mas é a ferritina, uma proteína hepática, que é a principal fonte de reserva do íon ferro, por isso uma baixa concentração da mesma indica deficiência de ferro.
Para as anemias hereditárias são realizados testes específicos, dentre eles o mais importante e que merece especial ênfase é a Triagem Neonatal, ou como é conhecido popularmente o “Teste do Pezinho”.
A partir desse exame, se detecta de forma precoce e eficaz uma das anemias mais importantes em termos de conseqüências desastrosas, a anemia falciforme, mas também este teste pode ser usado para detectar várias outras hemoglobinopatias hereditárias.
Tratamento:
Para o tratamento das anemias deve-se primeiramente determinar a causa. Após esse passo o profissional de saúde habilitado estará apto a escolher o tratamento que melhor se adeque as necessidades de cada tipo de anemia.
Entretanto a suplementação de ferro é a forma mais comum de tratamento dessa enfermidade.