quarta-feira, 2 de julho de 2008

Primeiros Socorros. Conhecendo para poder agir com segurança – Luciene F L Borlotte

O conhecimento se tornou a mola propulsora da sociedade moderna. E são várias as ferramentas a qual podemos lançar mão para obtermos informações daquilo a qual procuramos nos aprofundar em conhecer.

Mas apesar das variadas formas de aprendizado, temos que ter em mente que é de primordial importância de que nos certifiquemos de que tais informações são seguras e confiáveis.

Por exemplo quando se trata de informações relacionadas à prevenção ou tratamento de alguma doença ou mal súbito, pois são informações que se dadas incompletas, ou até mesmo sem procedência científica pode levar a conseqüências desastrosas.

Por isso, um tema que merece bastante atenção e que todos inclusive crianças e idosos deveriam esforça-se para obter o máximo de informação possível, são aqueles relacionados às noções de primeiros socorros, ou como é chamado no meio acadêmico, o suporte básico de vida (SBV).

É fato que se a população fosse informada de como agir, não só em relação à abordagem da vitima, mas também sobre o conhecimento legal que implica um atendimento de socorro, poderíamos diminuir uma triste estatística brasileira que constata que "as principais causas de mortalidade na população jovem, são acidentes, envenenamentos e violência..." (MS, 2007)

O Código Penal Brasileiro em seu Art. 135, traduz o que vem a ser a omissão de socorro: "Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal,..., ou não pedir,..., o socorro da autoridade pública".

É bom esclarecer que prestar a assistência ao vitimado não se configura apenas em fazer manobras de reanimação cardíaca, aplicar técnicas de imobilização cervical, ou qualquer outra situação que só de ouvir falar nos parece extremamente complicado. Mas sim, saber a quem e como recorrer em caso de necessidade.

O socorro especializado é o recurso adequado às situações de perigo, e para que seja eficaz, deve chegar ao local do acontecimento em tempo hábil. Para isso ao nos deparamos com alguma situação com vitimas devemos imediatamente discar para os números 192, que corresponde ao Serviço Móvel de Urgência (SAMU) e detalharmos o acontecido, para que possam ser tomadas as devidas providências.

Em locais onde não se dispõe este serviço o número a ser discado é o 193, do Corpo de Bombeiros, ou 190 da Polícia Militar. (Esta ligação não é cobrada, e pode ser feita de qualquer tipo de aparelho telefônico).

No entanto, existem diversas condições onde o cidadão comum, mesmo sendo leigo, poderá atuar até que o socorro especializado chegue ao local do acontecimento, ou até mesmo sanar o mal sem a necessidade de socorro adicional.

As condições em que a pessoa leiga poderá agir enquanto aguarda a chegada da ambulância incluem: queimaduras, desmaios, crise convulsiva, entre outros.

Neste artigo saiba mais sobre queimaduras, informações seguras, com embasamento científico que poderão fazer a diferença para se obter sucesso na abordagem das vitimas.

Queimaduras - Classificação
Queimaduras são lesões na pele ou mucosas, resultante da exposição a chamas, líquidos quentes, superfícies quentes, frio, substâncias químicas, radiação, atrito ou fricção.

De acordo com a profundidade que essa lesão agride os tecidos (pele e mucosas), as queimaduras serão classificadas em queimaduras de primeiro, segundo ou terceiro grau.

A queimadura de primeiro grau é aquela que atinge a camada mais superficial da pele chamada de epiderme. Esta queimadura não provoca alterações na circulação sanguínea, mas a região atingida fica avermelhada. É bastante comum após a exposição solar sem o uso de protetores ou filtros; é a famosa "marquinha vermelha de sol".

A queimadura de segundo grau atinge a epiderme e parcialmente a derme (esta camada está logo abaixo da epiderme e é a camada da pele onde se encontram muitas estruturas importantes). Ou seja, ela é mais profunda que a queimadura de primeiro grau e sua característica principal é a presença de bolhas. É comum em acidentes com água ou outro líquido superaquecido.

A queimadura de terceiro grau é aquela que acomete a totalidade das camadas da pele (epiderme e derme) e algumas vezes, estruturas mais profunda ainda, como o tecido subcutâneo (gordura) e também os músculos. Esta queimadura tem aspecto esbranquiçado ou marmóreo, com o endurecimento da pele. Por atingir camadas tão "nobres" não há capacidade de regeneração de forma natural sendo necessário a enxertia (técnica cirúrgica de aplicação de retalhos de pele, geralmente da própria vítima, no local da queimadura para estimular a proliferação de novas células). Essas queimaduras são comuns em acidentes com eletricidade.

Em se tratando de atendimento a vítima de queimaduras a classificação quanto à profundidade não é o suficiente para determinar, pois a vítima ainda deverá ser avaliada por profissional de saúde a fim de se determinar a Superfície Corpórea Queimada (SCQ), pois para o atendimento de acidentes por queimaduras é bom que primeiramente se esclareça que o tratamento domiciliar restringe-se à vitima de pequenas áreas queimadas, queimaduras extensas exigem acompanhamento hospitalar, devido aos riscos que elas oferecem, incluído risco de morte.

Tratamento Domiciliar da Queimadura
As lesões causadas por queimaduras são extremamente dolorosas. E devido a esse quadro de desconforto, que na ocorrência de queimaduras, as pessoas utilizam uma infinidade de produtos presente nas dispensas de casa, tais como borra de café, creme dental, clara de ovo, e tantos outros ungüentos, a fim de obter alívio da dor.

Mas tais produtos são extremamente irritantes ao tecido queimado, podendo ser até mesmo a porta de entrada de uma infecção nesta queimadura.

A orientação correta é não passar nada, apenas lavar o local com água corrente e fria. Em caso de queimaduras de segundo grau, onde há formação de bolhas a orientação, em domicílio, é que se evite romper a bolha, pois está é uma barreira natural contra a invasão de germes.

No tratamento especializado, a primeira conduta, será a remoção destes "remédios caseiros" que foram inadequadamente utilizados. A remoção destes produtos causam muita dor. As bolhas serão rompidas, agora em local apropriado, com instrumental esterilizado (isento de germes) e será utilizado uma cobertura (produto da indústria farmacêutica) que funcionará como película protetora.

Este produto constitui-se de um creme que pode ser utilizado em domicílio. É o creme de Sulfadiazina de prata a 1,00 %, mas este medicamento possui restrição para um pequeno grupo de pessoas que são alérgicas à sulfa, por isso só poderá ser usado conforme prescrição médica. Trata-se de um medicamento de baixo custo, que é usado aplicando-se uma fina camada sobre a lesão.

Então o que podemos concluir nestes esclarecimentos é que de maneira geral as queimaduras de primeiro grau podem ser tratadas com a aplicação de recomendações simples e evoluem satisfatoriamente. As queimaduras mais profundas (segundo e terceiro grau) freqüentemente necessitam de avaliação de profissional especializado, pois será necessário avaliar além da profundidade da lesão a SCQ, ou seja, a Superfície Corpórea Queimada, e assim será determinado o tipo de tratamento, se domiciliar, ambulatorial ou até mesmo hospitalar.


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